O papel da alimentação na prevenção do câncer de mama

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O câncer de mama é um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo. Com o Outubro Rosa, temos uma ótima oportunidade de conversar sobre a importância de uma alimentação saudável na prevenção da doença.

Quando falamos de câncer de mama, estamos nos referindo a uma série de doenças que têm, em comum, o fato de levar à proliferação descontrolada de células na glândula mamária, às vezes acompanhada da invasão de outros órgãos (processo conhecido como metástase). Além disso, o mesmo tipo de câncer de mama pode se desenvolver em diferentes mulheres por meio de variadas trajetórias metabólicas, celulares e moleculares. Isso dependerá de fatores genéticos, bem como das exposições ambientais e do estilo de vida.

Embora as pesquisas e os tratamentos voltados ao problema tenham avançado consideravelmente nas últimas décadas, não sabemos, ainda, as suas causas exatas, e preferimos falar de fatores que aumentam ou diminuem seu risco. Em 5 a 10% dos casos, o fator genético é o preponderante. Mulheres com mutações no gene BRCA1, por exemplo, apresentam maior probabilidade de desenvolver a doença.

Entretanto, na grande maioria dos casos, o fator ambiental e o estilo de vida são os mais determinantes. Em especial, podemos destacar o padrão da alimentação. Pesquisas mostram que diferentes componentes dos alimentos (macro e micronutrientes, assim como compostos bioativos) podem impactar a saúde celular por meio da modulação de diferentes processos envolvidos com o surgimento do câncer de mama. Os mecanismos de ação são bastante complexos e motivo de investigação científica crescente.

O peso da alimentação nesse contexto ganha cada vez mais relevância, como demonstra a manifestação do Instituto Nacional de Câncer (Inca): “Entre as medidas que contribuem para prevenir o câncer de mama estão a adoção de comportamentos protetores, como seguir uma alimentação saudável, praticar atividades físicas com regularidade, evitar bebidas alcoólicas e manter o peso adequado. Essas ações são capazes de evitar 28% de todos os casos da doença”. Vale a pena reforçar que essa porcentagem não é desconsiderável e um número significativo de mulheres poderia se beneficiar adotando tais medidas.

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O último relatório do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer e do Instituto Americano de Pesquisa do Câncer reforça o papel de uma dieta saudável na prevenção do câncer de forma geral, incluindo o de mama. Consideramos as recomendações dessas instituições as mais robustas hoje para fazer da alimentação uma aliada na redução do risco dessas doenças. Podemos resumir algumas das principais orientações da seguinte maneira:

  • Mantenha o peso adequado;
  • Siga fisicamente ativo;
  • Consuma uma dieta rica em vegetais (frutas, verduras, leguminosas, grãos integrais…);
  • Limite o consumo de fast food e alimentos processados ricos em gordura, amido e açúcar;
  • Modere na carne vermelha e processada;
  • Reduza a ingestão de bebidas açucaradas;
  • Diminua o consumo de bebida alcoólica;
  • Para as mães: amamentem seus bebês.

Tais medidas valem inclusive após o diagnóstico do câncer, com os eventuais ajustes necessários. O documento dessas entidades ainda indica não fumar e evitar a exposição excessiva ao sol para prevenir tumores. Pensando em evitar o câncer de mama, também são bastante úteis as recomendações baseadas em evidências listadas pela Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos — faz parte do pacote evitar embutidos e comer mais vegetais.

É importante notar que o câncer de mama pode levar décadas para se desenvolver. Isso indica que sempre é tempo de começar a se cuidar e adotar uma alimentação mais saudável. Além disso, pesquisas experimentais do nosso grupo na Universidade de São Paulo mostram que a dieta da mãe durante a gestação e a amamentação pode afetar o desenvolvimento da glândula mamária do feto e do recém-nascido, influenciando no risco da doença na idade adulta.

De forma bastante interessante, nossos estudos com roedores foram também os primeiros a indicar que a má alimentação do futuro pai pode alterar padrões nos espermatozoides e, com isso, aumentar o risco de câncer de mama nas filhas. Caso esses achados se confirmem em seres humanos, poderemos ter no futuro novas estratégias de prevenção do câncer de mama. Enquanto essas pesquisas avançam, o mais prudente é que as mães e os pais busquem ter uma alimentação equilibrada tanto na fase de pré-concepção como na gestação e na lactação (no caso das mulheres).

Finalizo com a mensagem de que o câncer de mama é uma doença que pode e deve ser prevenida. Neste Outubro Rosa, aproveite para rever seus hábitos alimentares e propagar essas informações para a família e os amigos. A prevenção começa já!

* Thomas Prates Ong é professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador do Food Research Center (FoRC) e membro do Conselho Científico do ILSI Brasil

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