Queloide na Orelha – O Que é e Como Tratar

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Principalmente depois de colocar brincos ou piercings, algumas pessoas podem desenvolver queloide na orelha. Apesar de ser comum, nem todos sabem o que é ou como tratar. Descubra a seguir o que exatamente é um queloide ou como tratar a condição.

Quer saber
com detalhes quais são as formas de lidar com o queloide seja por meio de
medicamentos, tratamentos caseiros, intervenções cirúrgicas ou até mesmo uma
combinação de duas ou mais técnicas? Pode rolar a página para encontrar todas
essas informações e dicas de prevenção que evitam que novos queloides apareçam.

Queloide – O Que é

O queloide é uma cicatriz que acaba crescendo mais do que uma cicatriz normal. Em um queloide, o tecido cicatricial vai aumentando de tamanho ao longo do tempo e dá a pessoa a sensação de que o trauma nunca é cicatrizado.

Um
queloide acontece quando o corpo reconhece uma lesão como algo mais grave do
que realmente é. É como se o corpo apresentasse uma resposta exagerada de cura,
criando uma cicatriz maior do que seria necessário.

À medida
que a ferida vai cicatrizando, o tecido fibroso substitui a pele antiga para
que a lesão seja curada. No entanto, pessoas propensas a desenvolver queloides
produzem tecido cicatricial em excesso. Nesses casos, a cicatriz vai se
espalhando, causando uma protuberância maior do que a lesão inicial no local.

Características
que permitem distinguir os queloides de outras lesões cicatriciais é que os
queloides podem variar de tons de rosa claro a marrom escuro, que eles podem
ser grossos e que eles tendem a aumentar de tamanho conforme o tempo vai
passando.

Queloide na Orelha

Na orelha, os queloides geralmente surgem depois de furar o local. Embora furar a orelha seja algo simples, algumas pessoas podem desenvolver queloides no local.

Quando a
orelha é perfurada, a resposta normal do organismo é tentar curar aquela lesão.
É por isso que quando furamos a orelha para colocar um brinco ou um piercing,
por exemplo, é importante manter o brinco no furo por várias semanas. Se isso
não for feito, provavelmente o organismo vai curar a “ferida” e fechar o
buraco.

Pessoas
que desenvolvem queloides na orelha geralmente apresentam pequena
protuberâncias em formato redondo ao redor da perfuração. Elas podem surgir
logo depois do furo ser feito ou apenas vários meses depois. Da mesma forma, o
crescimento do queloide pode ser muito lento.

Além de
queloide na cartilagem da orelha causada por brinco ou piercing, outros tipos
de lesões que podem causar queloides são:

  • Cicatrizes de acne;
  • Marcas de catapora;
  • Picadas de inseto;
  • Tatuagens;
  • Cicatrizes de cirurgias.

Se mesmo
com a descrição acima você ainda está em dúvida do que é um queloide, veja
abaixo algumas fotos de queloide na orelha.

As imagens
mostradas acima são casos mais graves de queloide. O início de queloide na
orelha pode ser mais suave e demorar para chegar nesse estado. Nas imagens
abaixo, é possível observar como um queloide pode parecer quando está se
formando na pele da orelha.

Fatores de Risco

Embora seja
comum o desenvolvimento de queloides na orelha, não é todo mundo que desenvolve
queloides. Alguns fatores que contribuem para o surgimento de um queloide são:

  • Cor da pele: de acordo com uma publicação de 2009 do periódico American
    Family Physician
    , pessoas com pele mais escura apresentam de 15 a 20 vezes
    mais risco de ter um queloide;
  • Idade: estimativas do mesmo estudo citado acima mostram
    que queloides são mais comuns em pessoas com menos de 30 anos de idade;
  • Genética: pessoas que tem parentes próximos com queloides
    podem ter uma chance maior de também sofrer da mesma condição.

Apesar de
não representar nenhum risco à saúde, o queloide pode prejudicar a autoestima
das pessoas. Principalmente quando a lesão surge em um local visível como a
orelha.

Assim,
vamos mostrar quais são as formas de tratar um queloide na orelha e o que
esperar de cada tipo de tratamento disponível.

Como Tratar

Existem
diversas maneiras de tratar um queloide, mas nenhuma delas é 100% eficaz. O
queloide é muito difícil de tratar e o maior desafio dos médicos não é remover
o queloide, mas sim garantir que ele não volte, o que é bastante comum.

Vamos ver
então quais são as opções que uma pessoa com queloide na orelha tem e como elas
funcionam.

Remoção cirúrgica

A cirurgia
de queloide na orelha pode ser recomendada em casos em que o queloide é muito
grande e causa grande desconforto.

Para ser
efetiva, depois da cirurgia o paciente deve seguir as recomendações médicas e
se submeter a tratamentos complementares como o uso de brincos de pressão, a
exposição à terapia de radiação, o uso de adesivos de silicone ou injeções de
corticosteroides, por exemplo.

– Cirurgia

A remoção cirúrgica de um queloide se dá com um bisturi, o que leva à criação de uma nova ferida no local.

Como
pessoas com queloides são muito sensíveis a desenvolver o problema novamente, é
preciso combinar a cirurgia com outro tipo de tratamento para evitar que o
queloide se instale novamente naquele lugar e, claro, seguir todos os cuidados pós-cirúrgicos
relacionados à higiene.

– Brincos de pressão

Depois de
uma cirurgia de queloide da orelha, o uso de brincos de pressão pode ser
recomendado para exercer uma pressão uniforme no local, impedindo a formação de
um novo queloide na orelha.

Esse
brinco deve ser usado por ao menos 16 horas por dia durante um período que
varia de 6 a 12 meses.

– Radiação

A terapia
com radiação normalmente é parte do tratamento cirúrgico. No fim da cirurgia de
remoção, a região do queloide é exposta a doses controladas de radiação para
evitar que outro queloide se forme no mesmo local durante a cicatrização.

Remoção não cirúrgica

As opções
de tratamento abaixo não envolvem cirurgias e são bem menos invasivas do que
qualquer procedimento cirúrgico. Elas não promovem a remoção completa do
queloide, mas costumam suavizar de forma significativa a aparência do queloide
e diminuem o seu tamanho.

– Injeções de esteroides

Os esteroides ajudam a diminuir a inflamação, causando o encolhimento do queloide. O corticosteroide é o tipo de esteroide mais usado nesses casos.

Geralmente,
uma média de 4 injeções são aplicadas ao longo do tratamento. O paciente deve
ir até o dermatologista a cada 3 ou 4 semanas para a aplicação do esteroide diretamente
no queloide.

De acordo
com a American Academy of Dermatology (AAD), a taxa de sucesso dessa
técnica varia de 50 a 80% dos casos. Apesar de o queloide ser reduzido de forma
significativa com as injeções de corticosteroides, os especialistas observam
uma reincidência do queloide dentro de 5 anos.

Por isso,
é importante combinar as injeções com outro tipo de terapia para potencializar
os resultados e também adotar medidas preventivas para evitar que o queloide
volte.

Uma
revisão de 2009 publicada na revista American Family Physician sugere
que o uso de esteroides é mais eficaz no tratamento de queloides recentes ou
quando combinada com remoção cirúrgica ou crioterapia.

– Crioterapia

A
crioterapia é uma técnica de congelamento temporário. No caso dos queloides, os
tecidos ao redor da ferida são congelados com o uso de um dispositivo
específico. Algumas pessoas podem sentir dor intensa, mas geralmente o
procedimento é bem tolerado.

Uma
pesquisa publicada no Journal of Cutaneous and Aesthetic Surgery em 2012
indica que a crioterapia pode diminuir o tamanho dos queloides em até 50%
depois de várias sessões.

São
necessárias pelo menos 3 ou mais sessões de tratamento e a crioterapia funciona
melhor quando combinada com outros tipos de tratamentos, como a injeção de
esteroides, por exemplo, que pode ocorrer antes ou depois da crioterapia de
acordo com a recomendação de um dermatologista.

Apesar de
trazer bons resultados, a crioterapia é mais eficaz em queloides com menos de 3
anos de existência.

– Ligadura de compressão

Trata-se
de uma técnica em que um fio cirúrgico é amarrado em torno da base do queloide.
Com o passar do tempo, esse fio corta o queloide aos poucos e faz com que ele
caia.

É preciso
amarrar um novo fio a cada 3 ou 4 semanas até que o queloide seja removido.
Nessa técnica, você não arranca o queloide de uma vez e vai suavemente
removendo a cicatriz, o que pode ser uma boa estratégia para queloides grandes
difíceis de tratar.

– Tratamento a laser

Tratamentos
a laser podem ajudar a diminuir o tamanho e a desbotar a cor dos queloides. Mas
em geral, a terapia a laser só funciona como um complemento a outra técnica e
nunca deve ser a única abordagem para remoção de queloides.

– Retinoides

O
retinoide é um ótimo creme ou pomada para queloide na orelha. Uma pesquisa de
2010 publicada no Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology mostrou
que produtos contendo retinoides podem reduzir o tamanho de um queloide e
amenizar sintomas como a coceira na pele.

Cremes e
pomadas contendo tretinoína ou isotretinoína podem ser aplicados na pele para
acelerar a renovação celular da pele, contribuindo para melhorar a aparência de
um queloide.

– Imiquimod

Trata-se
de um quimioterápico de uso tópico muito usado para tratar tumores na pele.
Segundo um estudo de 2017 publicado no Journal of Oral and Maxillofacial
Surgery
, essa substância pode diminuir o risco de um queloide voltar depois
da sua remoção, mas seu uso deve ser criteriosamente indicado por um médico.

Tratamento Caseiro

Se você
quer saber como tirar seu queloide em casa, saiba que isso pode ser perigoso e
até piorar a situação. O que sabemos até agora sobre tratamentos caseiros é que
os géis de silicone são as melhores opções e que alguns outros estão sendo
estudados.

– Gel de silicone

Géis de
silicone podem ser bons aliados no tratamento de queloides e podem inclusive
ser recomendados por dermatologistas.

Segundo
uma pesquisa publicada em 2015 no periódico científico Advances in Wound
Care
, estudos clínicos mostram que o gel de silicone pode melhorar a
textura e desbotar a cor das cicatrizes. De fato, um estudo mostrou que 34% dos
queloides ficaram mais achatados depois da aplicação diária de um gel de
silicone.

Estudos
mais recentes – como o publicado em 2017 no International Journal of
Molecular Sciences
– mostram que o gel de silicone também pode prevenir a
formação de queloides e podem ser úteis para uso pós-cirúrgico em pessoas
propensas a queloides, por exemplo.

O gel de
silicone também apresenta baixo risco de efeito colateral e é muito simples de
usar.

– Cremes ou pomadas

Uma
revisão científica publicada em 2012 no International Journal of Cosmetic
Science
mostrou que alguns produtos para a pele contendo lanolina ou
petrolato em sua composição podem ser eficazes no tratamento de cicatrizes.

Segundo o
estudo, eles são mais eficientes se usados regularmente para cobrir todo o
queloide, especialmente no início da cicatriz.

– Extrato de alho

Um estudo
de 2011 publicado na revista Dermatology Reports levantou a hipótese de
que o extrato de alho pode ter um potencial para tratar queloides. Mas ainda
não existem análises mais detalhadas que comprovem esse benefício.

– Extrato de cebola

Uma
pesquisa publicada em 2012 no periódico científico Dermatology Research and
Practice
indica que um gel feito a partir do extrato de cebola foi capaz de
diminuir o tamanho e suavizar os sintomas de cicatrizes elevadas como os
queloides.

Como Evitar um Novo Queloide?

Além de
serem difíceis de tratar, pessoas que já tiveram um queloide tem um risco alto
de desenvolver um queloide novamente. As dicas abaixo podem ajudar a evitar que
um novo queloide apareça:

  • Colocar imediatamente um adesivo ou gel de silicone
    ao sofrer qualquer tipo de lesão na orelha;
  • Evitar furar a orelha ou colocar piercings na região
    e também em outros locais do corpo;
  • Manter eventuais feridas na orelha sempre limpas e
    secas para diminuir o risco de cicatrizes;
  • Pedir para o dermatologista realizar um teste em uma
    área pouco vista do corpo antes de fazer piercings, tatuagens ou se submeter a
    procedimentos estéticos se alguém da sua família apresentar queloides;
  • Sempre informe seu cirurgião se você é propenso a
    desenvolver queloides, pois na necessidade de uma cirurgia ele pode optar por
    técnicas especiais para diminuir o risco de um queloide;
  • Ao sentir a pele ao redor de um piercing ou de um
    brinco começar a engrossar, remova o brinco;
  • Uma pesquisa de 2015 do Australasian Journal of
    Dermatology
    mostrou que a formação de queloides depois de colocar um
    piercing ou brinco pode ter a ver com o metal dessas joias. Por isso, eles
    sugerem usar brincos que não sejam metálicos pois eles podem diminuir o risco
    de um queloide surgir.

Não existe
nenhum tratamento infalível para tirar queloides. Assim, os ingredientes
principais durante o tratamento são paciência e cautela.

Tratamentos
combinados geralmente surtem um melhor efeito no tratamento de queloides, mas é
sempre bom contar com o auxílio de um bom dermatologista que pode não só te
ajudar a tirar o queloide como a evitar novas experiencias ruins com esse tipo
de cicatriz.

Não poder
fazer um piercing ou usar um brinco pode ser chato no início, mas hoje existem
vários brincos e piercings de pressão que podem ser usados sem colocar a sua
orelha em risco de desenvolver um queloide que pode ser bem complicado de se
livrar.

Referências
Adicionais:

Você já sabia o que era queloide na orelha? Conhece alguém que já passou por isso? Comente abaixo!

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